quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Mulheres Sacerdotes, por que não?

Um movimento subterrâneo luta pela igualdade da mulher na Igreja
José Luis Barbería (El País - Espanha)

"Em nome da Mãe, da Filha e da Espírito Santo. Deusa nossa, acolhe a nós, cristãs... Mãe nossa que estás no céu..." As teólogas feministas nos propõem inverter, subverter a linguagem de gênero da liturgia católica para que comprovemos a apropriação masculina da própria idéia de Deus realizada através dos séculos. Pensam que, de tanto representar o Altíssimo com figuras masculinas e de excluir a mulher dos estamentos do poder religioso, as hierarquias católicas acabaram "violando a imagem de Deus nas mulheres", apagando a parte feminina do Supremo Criador.

Poucas imagens podem ser tão obscenas em nossas sociedades católicas quanto a exposição pública de uma mulher nua pregada na cruz. E poucas coisas irritam tanto o Vaticano quanto o questionamento do papel atribuído à mulher na Igreja. "A ordenação das mulheres é o primeiro passo para recomeçar a comunidade de iguais que Jesus queria. A Igreja se empobrece clamorosamente pela carência de uma contribuição feminina mais plena e responsável", indica a freira María José Arana, antiga pároca da Congregação do Sagrado Coração, doutora em história e autora do livro "Mulheres Sacerdotes, Por Que Não?"


Há uma revolta feminista que é travada surdamente há décadas nas catacumbas da Igreja oficial, uma rebelião seguida clandestinamente em não poucos conventos, que o Monitum (advertência canônica oficial) editado há seis anos pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (antiga Inquisição) e hoje papa, Joseph Ratzinger, não conseguiu silenciar nem as posteriores ameaças de excomungar quem participasse da ordenação de mulheres. A democratização-feminilização modificaria sem dúvida a visão interior e exterior da Igreja e desbarataria a trama vertical do poder: bispo, cardeal, sumo pontífice, de forma que a eleição do papa, ou papisa, não mais caberia apenas aos 118 homens purpurados cardinalícios reunidos em conclave.

Não é preciso ser mulher e crente para constatar que as pregações e litanias, os cânticos e as preces que os fiéis católicos elevam ao céu surgem majoritariamente de gargantas femininas; que são as mãos de mulheres que cuidam da limpeza e do funcionamento dos templos: desde as flores e as toalhas dos altares até o ar-condicionado, passando pela coleta das esmolas e o cuidado dos hábitos sacerdotais. O que aconteceria se, como propõem algumas teólogas feministas, as mulheres decidissem não ir às igrejas até que se reconhecesse sua igualdade? Um olhar para as igrejas espanholas, transformadas em lares espirituais para a terceira idade, comprova essa avassaladora presença feminina.

Andrés Muñoz é um dos 8 mil sacerdotes, 22% do total, que vivem hoje na Espanha casados ou convivendo em casal. Tem 27 anos de casamento com Teresa Cortés, a mulher que hoje preside o Movimento para o Celibato Opcional (Moceop). Eles têm um filho de 25. "O mal não reconhecido da Igreja Católica é o autoritarismo, a falta de democracia interna e a rejeição à liberdade de pensamento", afirma. Sua mulher está convencida de que o celibato obrigatório é, antes de mais nada, um instrumento para o controle dos sacerdotes. Essa senhora de rosto suave e expressão decidida - "filha do inferno", a chamaram os membros de um programa de rádio -, pensa que a humanidade e as religiões contraíram uma grande dívida histórica com a mulher.

A aceitação do sacerdócio e do bispado feminino entre os protestantes e anglicanos deixa a Igreja Católica diante da pergunta de até quando poderá continuar ignorando o fato da emancipação feminina e da igualdade dos sexos. De quanto tempo vai precisar para mudar o olhar que os santos padres, desde santo Agostinho a santo Tomás, atiraram sobre a mulher, esse ser que, assim como Aristóteles, julgaram inferior, submisso, de natureza "defeituosa", incompleta, "imbecilitas", impura? Quanto ainda vão demorar para livrar a mulher do sentimento de culpa por ter entregado a maçã a Adão, para libertar-se inteiramente dos preconceitos que proibiam as mulheres de entrar nos tempos durante seus períodos de menstruação, ou simplesmente de tocar nos vasos sagrados? O machismo da sociedade também tem suas raízes na cultura cristã e continua vigente na idéia, exposta na primeira encíclica do papa Bento 16, de que a mulher foi criada por Deus "como ajuda do homem".

Do ponto de vista teológico, porém, não há um empecilho dogmático que proíba o celibato opcional ou a ordenação da mulher. De fato, os apóstolos eram casados e parece igualmente comprovado que na Igreja primitiva houve diaconisas e presbíteras, mulheres consagradas. As historiadoras religiosas se empenham em obter argumentos para demonstrar que a teórica impossibilidade de ordená-las sacerdotes não é uma verdade revelada, mas sim, como ocorre no islamismo e no judaísmo, produto da interpretação masculina da história ao longo de séculos de marginalização social da mulher.

A esta altura, no entanto, os subterfúgios dialéticos encontram já cansadas muitas dessas católicas que exigem que a hierarquia seja coerente com a igualdade. Sua mensagem é que a Igreja Católica perderá as mulheres, como já perdeu os intelectuais e os operários. Elas, que são as que amam a Deus em maior número, já não aceitam que o sexo masculino atribuído ao Supremo Criador sirva para perpetuar a servidão e a submissão secular da mulher. É que, a não ser que se insulte a condição feminina, não há resposta justificada possível para a pergunta: "Mulheres sacerdotes, por que não?"


(com El Pais)


Mas, se a desobediência de uma mulher resultou na queda da raça humana, não nos esqueçamos que foi a obediência de uma mulher que resultou na redenção da raça.

Deus escolheu uma mulher como instrumento para a redenção, o perdão e a salvação eterna. Uma mulher ficou sendo o meio de trazer alegria, paz, amor, consolo e realização à raça humana (Lc. 01:26-38).

Maria Madalena, uma mulher de negócios – mas que chegou até Jesus e foi liberta por Ele – tornou-se sua seguidora, veio a Ele dar apoio, ajudava-O nos assuntos financeiros, estava presente ao lado da cruz, ajudou a preparar o corpo de Cristo para o sepultamento, estava presente quando Jesus ressuscitou, foi visitada por Ele, recebeu o seu recado e o transmitiu aos Apóstolos, recebeu a plenitude do Espírito Santo no dia de Pentecostes e, obviamente, era mensageira e testemunha ungida de Jesus Cristo na igreja primitiva.

Maria Madalena tivera uma vida conturabada. Jesus a libertou , a fim de que Ela pudesse ter vida real eterna e abundante.

Jesus liberta dos maus hábitos que contaminam o corpo, a mente e o espírito, e nos leva a desenvolver hábitos que ajudam a nos limpar e purificar, bem como a outras pessoas.

Quando Jesus se torna Senhor da sua vida, você mulher, consegue fazer todas as coisas que Deus manda quando fala ao seu coração. O que há de ruim na sua vida será sufocado pelo bem que Deus faz crescer em você, mediante a sua nova vida.

Quando Jesus veio, raiou um novo dia para as mulheres e para os homens igualmente. Temos liberdade! Já não somos escravos, já não estamos amarradas. Fomos libertadas.


2 comentários:

Gil Costa disse...

Sempre me pareceu que o discurso da Igreja Católica é o de delimitar claramente leigos (todos que não são "eclesiásticos") e sacerdotes. Na igreja evangélica as coisas não são tão aparentes, e no que diz respeito a mulher, parece que já houve grandes mudanças.

Mas no que diz respeito a essa distinção, a igreja evangélica também promove um grande engano: o de que a obra de Deus é praticada somente no vínculo com a igreja, o que significa que se afastar da igreja é se afastar de Deus.

Creio q devemos entender a obra de Deus como pessoal, única, desvinculada da religião, vinculada ao amor.

Sendo assim, as mulheres, assim como os homens, provavelmente sempre exerceram o sacerdócio doncedido por Deus, independente de seus vínculos com igrejas. Não adianta tentar mudar a igreja (católica ou evangélica), é preciso mudar nossa visão do evangelho.

Parabéns pelo texto!

Felipoe disse...

Qualquer mulher ou homem leigo que na idade média tivesse amado e cuidado de sua família já exerceu seu sacerdócio, ao contrário dos líderes religiosos egocêntricos e afogados na própria soberba intelectual.
Atualmente todos, inclusive mulheres, tem a oportunidade de se tornarem iguais aos sacerdotes do inferno. Rogo que não caiam nessa tentação, e que continuem todos, homens e mulheres, buscando apenas viver o amor, em simplicidade, no sacerdócio pessoal que cada um possui. Mulher, não queira ser sacerdotiza - no sentido religioso estereotipado - apenas pela ambição de poder ser igual o homem. Deixem os cegos guiarem os cegos, e busque a humildade que leva à exaltação.
Porque de padre e pastor o inferno já tá cheio...

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